Lucro Brasil: a culpa é sua!

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lucro brasilHá alguns dias está circulando no Facebook um movimento chamado "Abaixo o Lucro Brasil", sugerindo boicote às montadoras de carros devido aos preços altos.  É uma boa iniciativa, mas algumas pessoas que "apoiam" o movimento parecem estar voltadas contra as montadoras e o governo, e não contra a atitude do brasileiro. Na minha humilde opinião, trata-se de um problema cultural, e não econômico. Não sou um defensor das montadoras de motos e carros, nem tenho parentes e amigos que trabalhem em alguma delas. O que acho errado é a visão míope  que a maioria do nosso povo tem, pois se faz de vítima para fugir de suas atribuições e responsabilidades. Afinal, o que é mais cômodo: culpar o governo (e montadoras) por tudo, ou refletir sobre o assunto e se unir para que uma mudança radical na cultura brasileira realmente ocorra?

-Brasileiro é apaixonado por carro.
-Bom é andar de moto ou carro zero!
-Não fico com um carro por mais de 12 meses.
-Meu vizinho comprou uma moto 0km, tenho que trocar a minha também.
-Eu não compro carro usado, sempre vai dar problema!


Você com certeza já ouviu alguma das frases acima, certo? Pois bem, seja por influência da mídia, da educação que a pessoa teve ou qualquer outro motivo, são expressões como essas que permitem que o tal "Lucro Brasil" esteja do jeito que está. As pessoas me perguntam: "Ok, mas você acha certo que um carro que custa R$ 20.000 para ser fabricado seja financiado por R$ 40.000?". Eu sempre respondo com a analogia da coxinha. Isso mesmo, coxinha, daquelas vendidas em botecos e lanchonetes. Basta pesquisar: em média, uma coxinha com catupiry (delícia) custa cerca de R$ 0,40 para ser fabricada. E por quanto é vendida? Dependendo do lugar, no mínimo por R$ 1,50. Fazendo uma conta simples, há uma variação de 275% entre a produção e a venda da coxinha; proporcionalmente é muito mais do que o lucro obtido na venda de carros e motos. E isso se resume a apenas uma coisa: lei da oferta e da procura. No longo prazo, o preço de qualquer coisa é definido pelo mercado, e não pelo fabricante. É óbvio que o Governo tem o papel fundamental de definir uma carga tributária adequada, mas isso não impediria que os empresários aumentassem sua margem de lucro. Afinal, o objetivo principal de qualquer empresa, seja uma montadora ou uma lanchonete, é apenas um: obter lucro.

De nada adianta meter o dedo na cara dos empresários se você não estiver disposto a fazer com que a lei da oferta e da procura haja a seu favor. É claro que muitos precisam trabalhar e financiam a moto, mas será que você precisa trocar de moto ou carro todo ano? É contra essa visão deturpada de consumismo que o movimento tem que agir. Eu acredito que se você realmente deseja  fazer parte deste movimento para redução de preços, saiba que boa parte do sucesso depende de você, do seu vizinho, de todos nós! Mudança de cultura e redução de preços já, seja para sua moto ou para sua coxinha! Até mais!